Colapso
Começamos pelo que já não responde ao mundo em que vivemos: estruturas, modelos e crenças que mostram seus limites mesmo quando ainda parecem normais.
Antes dos capítulos, vieram as perguntas. Antes das respostas, vieram os sinais.
Não reunimos tendências da moda nem escolhemos temas que rendem bons títulos. Pesquisamos transformações sociais, tecnológicas, econômicas, ambientais e culturais, e construímos uma base para identificar recorrências, rupturas e contradições. O livro tomou forma dentro dessa investigação.
Começamos pelo que já não responde ao mundo em que vivemos: estruturas, modelos e crenças que mostram seus limites mesmo quando ainda parecem normais.
Depois, olhamos para onde o presente racha. Aparecem as tensões e disputas: forças diferentes decidindo que trabalho será possível, desejável ou aceitável.
E chegamos ao território que mais nos interessa: o que ainda não está decidido, e pode ganhar força, sumir ou mudar de direção conforme o que escolhemos agora.
Não buscamos encontrar "o" futuro. Buscamos ampliar o que ainda podemos decidir sobre ele.
Nada de listar profissões que vão sumir ou habilidades que todos precisarão ter. O que nos interessa é o que essas previsões escondem:
A investigação atravessa: tecnologia · clima · demografia · poder · proteção social · tempo
Um campo plural não se interpreta a partir de uma única perspectiva. O livro reúne pessoas de diferentes áreas e trajetórias para olhar os sinais, tensionar hipóteses e ampliar as perguntas.
Não buscamos autores para confirmar uma tese. Buscamos gente capaz de complicá-la.
Ao longo do caminho, algumas hipóteses ganham força e outras caem. Novos sinais aparecem, contradições ficam mais nítidas. Preferimos assumir isso a fingir que o mapa estava pronto desde o início.