Pesquisa · Foresight · Psicologia organizacional · Design
Toda semana surge uma novidade sobre o trabalho, e Ludymila Pimenta se interessa pelo que vem depois: o momento em que a promessa cruza a porta da organização e alguém precisa trabalhar diferente na segunda-feira. A inteligência artificial reescreve as tarefas, ou só apressa o mesmo processo? Cinco gerações passam a dividir a mesa, e quem tem a palavra final? A autonomia cresce no discurso enquanto o poder segue no mesmo lugar de sempre.
Esse trabalho aparece no palco, na consultoria, no desenho de experiências de aprendizagem e na pesquisa. O fio é sempre o mesmo: separar o que de fato se move do que só ganhou nome novo, e devolver isso às organizações em forma de decisão.
Ludymila estuda futuros do trabalho há quase uma década, combinando pesquisa, foresight, psicologia organizacional, comportamento e design. Mapeia sinais de mudança e persegue suas consequências: tecnologia, mudanças demográficas, novas relações com o trabalho, clima, saúde, aprendizagem, poder, profissões emergentes e modelos organizacionais.
Tem interesse particular pelas tensões, porque é nelas que aparece a decisão que importa. Controle ou confiança? Automação ou autoria? Velocidade ou capacidade de pensar? E uma pergunta de fundo em tudo: como isso aterrissa no Brasil real?
Boa parte do trabalho de Ludymila hoje é preparar organizações para o que ainda não chegou: construir o traquejo de ler os sinais, aprender no meio do caminho, escolher com critério e se reorganizar sem esperar uma fórmula pronta a cada estação. No RHlab, que fundou em 2016, essa investigação vira prática em RH fit for the future, employee experience, gestão do conhecimento e gestão da mudança.
Tem queda antiga por mexer no formato. Apostou em gamificação quando o assunto ainda causava estranheza no RH, tocou um podcast desde 2017 que segue no ar e circulou por laboratórios, comunidades e design especulativo. Daí brotou a frente que mais cresce no seu trabalho: eventos imersivos de aprendizagem. Quando a convidam para montar um evento, não abre pela pergunta de quem sobe ao palco. Abre por outra: o que precisa acontecer com aquelas pessoas, que incômodo precisa vir à tona e que decisão vem no dia seguinte.
Tecnologias, organizações, políticas e mercados estão decidindo agora o trabalho que teremos depois. A pergunta não é só o que vem, mas quem decide, quem se beneficia e o que tratamos como inevitável quando ainda é escolha.
A lista de habilidades indispensáveis não para de crescer. Enquanto isso, sobra cobrança nas pessoas e falta conversa sobre as condições em que elas trabalham: autonomia, poder, tempo, saúde, decisão, autoria.
Entre uma tecnologia disponível e uma nova forma de trabalhar existem centenas de decisões humanas. Quem decide o que automatizar, o que se escolhe não automatizar e que trabalho estamos criando ao redor da tecnologia.
O futuro não exige organizações que preveem melhor. Exige organizações que percebem mudança sem entrar em pânico, aprendem antes de responder e revisam o que parou de funcionar.
Psicóloga e mestre em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília, com dissertação sobre impacto de treinamento em jovens aprendizes em situação de vulnerabilidade social.
Fundou o RHlab, é sócia-diretora da Futuros Plurais e responsável por pesquisa e novas gerações no Teach the Future Brasil, professora, curadora e TEDx speaker. Concebeu a Semana do Futuro do Sebrae em 2025 e segue construindo a edição de 2026 no Distrito Federal. O que conecta tudo é a curiosidade pelo trabalho real: pelo que muda, pelo que resiste e pela distância entre o que as organizações dizem e o que as pessoas vivem.



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